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31 janeiro 2013

Does it worth?

Bom, depois de uns bons meses sem postar, acho justo aparecer e dar uma justificativa para as minhas leitoras.
Muitos já sabem, mas, para quem não recebeu a notícia ainda, estou de volta. A pergunta que passa na cabeça de muitas pessoas é sempre a mesma: por que? Creio que a explicação desse motivo é uma ótima postagem de enceramento do blog. Sim, estou fazendo a última postagem, pois o sentido se perdeu a partir do momento que deixei de ser au pair.
Como foi possível ler em publicações anteriores, a minha ida à "Terra do Tio Sam" não foi o sonho que eu esperava. Me decepcionei fortemente com o programa. Enquanto eu estava no Brasil era tudo lindo. Eu ia trabalhar 45h por semana (uma carga horária de trabalho normal e na qual encararia de ótimo grado), ia estudar muito, passear, treinar meu inglês, juntar dinheiro. Era o sonho! Mas a realidade não foi bem assim. Cheguei na família já trabalhando nos dias em que eu devia estar em "treinamento", trabalhava mais do que as 10 horas diárias previstas em contrato, apanhava das kids e os pais não tomavam providências. Isso foi me chateando, mas fui relevando pois gostava, ainda gosto, muito da família.
O problema, porém, vai muito além do não cumprimento das regras de trabalho. Me venderam que os que $500 de bolsa de estudos seriam suficientes para estudar muito, afinal, seriam 80 horas para cumprir, mas ninguém conta que com esse valor você só faz o curso online de história americana (o que isso vai melhorar meu currículo?). O seu super salário de $195,25 por semana vai todo em gasolina e pequenos gastos pessoais, os impostos são cobrados como se você fosse cidadão americano, mas fica doente pra ver se você será atendida como uma americana... Mas mesmo analisando tudo isso eu não desisti, pedi rematch.
Fui para New Jersey morar com uma família da África do Sul. Pessoas muito queridas, de hábitos e jeitos muito similares aos brasileiros. Parecia que finalmente meu intercâmbio iria dar certo. Mas, como já era de se esperar, felicidade de pobre dura pouco, já diria a minha avó #mentiraelanaofalaisso. Em New Jersey você não pode dirigir sem a habilitação do estado e nem o seguro te aceita. Vamos correr atrás dos documentos, simples! Nem tanto... Primeiro é necessário um seguro social e... Parou ai! Fui tirar meu seguro social e o documento deu problema pois o programador burro que desenvolveu o software delimitou os caracteres para nome, traduzindo, meu nome era grande demais para o sistema e mandaram para DC na tentativa de resolver o problema. Nesse tempo não tinha autorização da família para usar o carro pois eles não queriam que eu dirigisse sem seguro. Passei meus dias trancada em uma casa em cima da montanha, isolada.
Dezembro foi chegando e decidi começar a procurar cursos, afinal, quase 8 meses ali e não havia estudado quase nada (fiz um péssimo curso de jornalismo na Pennsylvania). Na busca por cursos, surpresa! Nada que fosse interessante. Curso de inglês eu não queria fazer pois, de acordo com muitos americanos que conheci, host families, lccs e muitos outros, meu inglês é muito bom e um curso da língua seria entediante e desnecessário para mim. Minha intenção sempre foi aprimorar minha carreira e eu não consegui nada. Decidi conversar com minha lcc na esperança de encontrar um curso, mas a sugestão dela foi: "american history". Apenas respondi: "sério? Como isso vai melhorar meu currículo? A história americana é inútil para minha carreira." Só ouvi um: "então não sei onde e o que você pode estudar!" Esperem um minuto, essa mulher não era a pessoa que, supostamente, me ajudaria?
Comecei a colocar gastos com curso (que eu não queria), imposto e tudo mais no papel. Cheguei a conclusão que sairia muito mais barato eu voltar logo. Ficando até o fim do meu ano eu apenas voltaria com um iPhone e só. Meus sonhos de viagem, compras e tudo mais ficariam perdidos em algum buraco em meio as frustrações. Eu daria dinheiro para um governo que nem meu seguro social fez (até hoje estou esperando) e continuaria isolada em uma casa na montanha, limpado e cozinhando para os outros e deixando meu diploma de lado.
Valeu a tentativa, não vou morrer com a ideia do "e se eu tivesse sido au pair". Eu fui, posso falar com todas as letras que é uma grande roubada porque eu tentei!
É isso, pessoal... Hoje estou feliz, no Brasil, curtindo a Campus Party com meu namorado e contando a última história do meu blog.